Raízes – Semeando o curitibanês das antigas

Curitiba e região, como em todos os lugares do mundo, adquiriram alguns termos típicos de linguagem. Alguns se perderam no tempo, outros se enraizaram na cultura.

Curitiba 04 - Semeador
RAÍZES

Vina, chachicho, cuque e pinhão,
Estômago cheio e setra na mão.
Na guerra de mamona
Amigos travam batalhas
Quando um acertava… ai, que dor!

Soube que na cidade apareceu um trujão
Que bateu seu fuque, que confusão
Mas foi a alegria da piazada, que presepada!
Porque dentro tinha uma bexiga, chineque e limonada.

Tinha até um monte de dolé e uma raia.
Para quem tava de varde, tudo parecia normal
Comer mimosa e ouvir prosa, da dona Rosa
Tempos desbotados, tempos pálidos
Termos olvidados, termos do passado
Raízes que surgiram, palavras que ficaram na memória, enfim!

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Mais curitibanês das antigas

Bexiga: balão de festa infantil
Vina: salsicha
Bidê: criado mudo ou tipo de raia mais elaborada
Trujão: intrometido
Bolsa: pasta de escola
Tongo: indivíduo com pouca inteligência
Borrão: rascunho
Só!: é isso aí!
Capilé: groselha
Setra:   estilingue, bodoque, atiradeira.
Carpê: carpete
Sapecada: pinhão na brasa
Champinha: tampinha de garrafa
Raia: pipa, pandorga, papagaio
Chachicho: salsichão típico ou coisa mal feita
Piá: guri, menino
Chineque: pão doce
Penal: estojo para lápis, canetas etc
Cuque: tipo de torta coberta com farelo de banana ou maçã
De varde: a toa, sem ter o que fazer.
Nhanha: polaco desconjuntado, uma pessoa caipira
Disgranhento: pessoa sacana, desgraçado
Mimosa: fruta cítrica, mexirica, bergamota
Dolé: picolé
Meio-fio: guia da calçada
Foco: lâmpada
Maloqueiro: vadio, vagabundo, arruaceiro
Fuque: fusca
Gralhar: pessoa que não pára de falar.
Gasosa: refrigerante de limão, abacaxi, framboesa, etc

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Texto publicado originalmente no meu livro “Viagens de uma Mônada” em 2006.

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