Olhos ricos; mãos pobres – cascalhos sob os pés e não sobre a cabeça

O que uma amizade pode gerar? Sei lá! Não penso a respeito, mas olhares surgem, às vezes, no meu entorno em que observo no dia-a-dia e que indagam (sem preconceito; curiosos mesmos) – como é que você viaja tanto (mais de 70 países), sem ser a trabalho, sem patrocínio e, ainda por cima, se você não tem dinheiro? (risos).

Bem, alguém já disse algo mais ou menos assim: “viajar é ter olhos ricos e mãos pobres”. Por vezes, isso é verdade, talvez até pudesse viver numa casa melhor – numa cobertura ou mansão (rs), ter um jatinho super mega avançado… mas, nunca hesitei… e sempre optei trocar a aquisição de um bem material, por colocar os pés na estrada… já viajei de tudo, mochila, carona (Bolívia, Itália…), trem e em cima de trem (Selva boliviana), bicicleta (Egito), motocicleta até a Terra do Fogo e por aí fui.

A minha história é antiga… começou em mil setecentos e dezenove (eu acho), minha memória falha às vezes, sabe? (rs). Na real, quando tinha 10 anos escrevi – numa máquina de datilografia – 10 perguntas as quais teria que responder durante a vida. Uma daquelas perguntas estava relacionada ao conhecimento de outras culturas e compartilhamento do que descobrisse com as pessoas de Curitiba (e assim, sem me dar conta, emergia um jornalista).

Sem dinheiro, sem parente que tinha dinheiro – decidir criar a a perspectiva de um futuro que desejava pra mim… estudei idiomas onde ofertavam gratuitamente, leiloei meus livros de ocultismo (adquiridos na adolescência), vendi meus discos de vinil (um monte) de música clássica (alguns raros adquiridos em sebos) e assim obtive meus primeiros 50 dólares, ufa!

Não foi fácil. E assim foi, devagarinho – caminhei e trabalhei para viajar pelo mundo, colocá-lo “in focus”. Até que um dia… embarquei num enorme pássaro de ferro e fui para o Marrocos e InglaTerra… lá na Velha Terra, “right mate?”

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto… o que muitos de nós não damos conta é que há outros bens que adquirimos em viagens, sejam além mar ou além porta da casa. Este bem, invisível, é que provém do companheirismo, da amizade, do sorriso…

Será que é isso… é uma espécie de – sem cobrança ou regra – corrente de amigos? Simples assim? Hoje te pago um capuccino pelo simples prazer de uma conversa com você – amanhã (quem sabe, sem ter essa pretensão) outra pessoa – pela simples curiosidade de ouvir detalhes de minhas experiências – me convida também para um café.

Sem compromissos e outros “issos”; sem olhos marrentos ou barrentos… o que emerge é cristalino e desinteressado. Nunca fiz uma lista, mas deve chegar à beira do infinito o quanto já caminhei pelas ondas da amizade para chegar até aqui, nestas linhas, escrevendo para você. E sabe de quem é a “culpa” (risos)? De uma amiga…

No último sábado – ganhei um livro dela – ao cultivar plantas nativas (olha só… ofertada por uma organização não governamental – sem políticas do “toma lá da cá”). Era um livro que eu já tinha, mas ao ganhá-lo pela segunda vez, me deu a oportunidade de ter a dedicatória dela.


Aqui – fugirei um pouco do tema, mas penso que é importante. Sobre a dedicatória de um livro. Isso se tornou uma coisa interessante ao meu ver. Essa visão diferente aconteceu numa noite de autógrafos de um livro que fui coautor. Havia uma fila de leitores que queriam uma dedicatória. Um leitor amigo disse: “quero palavras suas – não as padronizadas, tiradas de uma forma (de bolo) do tipo – com estima e consideração; abraços do amigo…”. Aquilo chamou a minha consciência ao fato de que uma dedicatória pode “pesar” mais até do que o conteúdo do próprio livro, pois ali, nas entrelinhas, pode emergir um fragmento da essência de quem empunhou a caneta, ao imprimir as palavras que vão chegar aos olhos do leitor.

Voltando ao assunto… além da dedicatória que ganhei da amiga, veio um bônus da história da amizade… é que… com um exemplar sobrando, tenho a chance fazer mais alguém sorrir… a dinâmica está aí – mão pobres; olhos ricos!

Disse sir Richard Burton: “na velocidade da infância, nasce outra vez a aurora da vida!”.

Então… Bons amigos pra você!

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