“Crônica” – Pensando no dia  29 de abril e no 1º de maio:

PM - Artigo Adalberto

Quarta-feira Sangrenta – 29 de Abril. Foto: Levis Litz 

Texto: Adalberto Fávero

Propósito, uma loa à praça, aos trabalhadores e ao cívico:

Na atualidade a voz da razão está cada vez mais baixa. O processo de humanização foi e é um movimento permanente para encontrar o homem. Foram, no mínimo, dois séculos e meio de lutas intensas para a conquista dos direitos sociais e pelo livre arbítrio pleno.

O que se vê hoje com o avanço conservador, a desregulamentação dos direitos adquiridos, o desprezo crescente à vida e as posições políticas cada vez mais mornas é uma degenerescência da civilização e da humanização: é a barbárie.

A racionalidade do mercado impõe-se sobre os direitos humanos e sobre a política como ação pública pela causa comum.

O cívico e os centros cívicos passaram a ser apenas um espaço simbólico no imaginário das lutas sociais e das representatividades políticas.

Esse novo estado de coisas apenas satisfaz a necessidade de indivíduos encastelados neles mesmos e em seus próprios interesses; reduz o cidadão a consumidor sem pátria e sem instâncias intermediárias que o acolham na defesa de seus direitos; age por exclusão, onde o trabalho é descartável e o trabalhador é descartável; opera por lutas e guerras estendidas à sociedade pela competição e/ou pela violência policial preventiva… O resultado é a diminuição do Estado na área dos direitos sociais e políticos: de novo, a barbárie.

A paz desejada pela elite econômica, política, administrativa e policial, nesse novo jogo de exclusão do coletivo, é a paz do cemitério.

Nosso horizonte precisará, agora, voltar a ser metade razão, metade paixão e metade mistério para reconstruir os imaginários e horizontes perdidos, pois sabemos que perpetuar uma educação pobre é perpetuar a pobreza e matar a dignidade do trabalhador.

Assim, vamos indo para o amanhã com dor e tristeza, com fome de esperança e o sangue no rosto pela luta e não dá para dormir com o estômago acordado.Não dá para dormir quando se quer fazer desfalecer o futuro.

Esse pode ser um tempo de caminhos cansados e quando é assim não existe cedo e nem amanhecer. Vão se estraviando os sentidos.

Por isso, gostaria de terminar essa “crônica” a tempos de nuvens escuras e aos lutadores do futuro e do direito á vida e educação digna, com a lembrança de um mestre em contar a vida, a luta e as histórias desse continente, Eduardo Galeano: “O medo seca a boca, molha as mãos e mutila.O medo do saber nos condena a ignorância. A ditadura militar, medo de escutar e medo de dizer, nos converteu em surdos e mudos, Agora a democracia, que tem medo de recordar, nos adoece de amnésia; mas não se necessita de Sigmund Freud para saber que não existe tapete que possa ocultar a sujeira da memória.”

Que esse dia desamarre nossas vozes e não nos permita desonhar nossos sonhos.

Adalberto Fávero
Professor



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